segunda-feira, 27 de julho de 2015




Hoje eu quero te apresentar ao inusitado , seja educado e aceite-o de bom grado no seu dia.

Nas telas de TV , nos ruídos das pessoas encobertas pelo celular , todos ecoam a mesma frase : "em tempos de frio é bom ficar dentro de casa", ficar recolhido aquilo que é cômodo , por tradução. Então , hoje , eu quero fazer assim : A gente pode combinar algumas não-premeditações se você me prometer que a partir de agora será como se você tivesse prendido a respiração . Você colocará sua roupa mais quente , virá ao meu encontro , de baixo da árvore mais coberta por umidade , a que estiver rodeada por folhas no chão , velhas ,de um falecido outono. Vai me ver apoiada nela , não vai sorrir , eu vou colocar meus braços em volta do seu pescoço , você vai me olhar diretamente nos olhos e não vai pensar em nada. A partir desse momento conte 3 segundos na sua cabeça e me beije me abraçando com todos os braços que na minha cabeça você vai parecer ter  . E quando estivermos nesse contato eu quero que você perceba aquilo que tentei te gritar em meio ao silêncio :

Que há muita liberdade por ai , nesse vazios de pessoas que insistem em acreditar na premissa logo a cima e acomodam-se em casa nesse lindo inverno.
Depois a gente pode sorrir e ver no que vai dar.

segunda-feira, 6 de julho de 2015



Eu nunca tive o costume de desenhar corações.

Nos esboços em cadernos , nos vidros de carros sujos na rua , no espelho do banheiro depois de um banho quente , nunca . Corações não . Não que eu nunca tenha me apaixonado , ou seja uma anti-amor , longe disso . Na verdade ,eu sou inteiramente paixão , inteiramente amor , sou louca por sorrisos , por olhares , por beijos , por toques , por risadas , por conversas que não são ditas por palavras , por carinho nas costas . Por aquilo que é livre , aquilo que não precisa ser dito. Aquilo que não merece ser premeditado , se não estraga. Aquilo que não é preso , aquilo que acontece , a surpresa , o de repente , a chuva sem aviso , a ventania com folhas voando , aquela onda que te pega de costas , aquele cheiro de grama molhada , o beijo sem aviso , a mão na cintura que aperta sem esperar , o olhar dentro de um olhar , a vergonha que é causada por ele -que é totalmente não premeditado, existe algo melhor que isso?- aquilo que tem o gosto da liberdade. O sabor de um sorriso , o lugar do lado da janela do avião . É por isso que eu sempre preferi estrelas , sempre as desenhei de forma incontrolável , até em locais inesperados , como com o resto do molho shoyu no prato onde estava a agora falecida comida japonesa. Eu sempre susbtitui os corações por elas , porque sim eu acho que elas representam muito melhor o sentido que o coração quer passar. Começa de um ponto , que deriva em uma reta , que vai para a frente , depois para baixo , depois de um lado depois do outro , mas não importa quantas voltas der , é um caminho reto basta segui-lo sem mistério  e no final vai ficar bom , vamos acredite , mesmo que ficar feio , vai ter alguém que vai rir daquilo , você vai gostar daquele sorriso e vocês vão ver que não haverá nada melhor do que desenhar estrelas, ver estrelas e olhar para elas depois longos beijos não premeditados.