quinta-feira, 20 de junho de 2019
Já reparou que quando você sai da praia é muito difícil a areia sair do seu pé?
Eu lembro que estava um longo silêncio antes de ouvir aquela fatídica pergunta: "Kim,qual o seu medo?".Sabe,eu queria responder de supetão :baratas,altura,aranha,ou qualquer outro desses medos que as pessoas costumam falar.Mas a questão é que nenhuma dessas coisas eu tenho medo,eu adoraria ter pavor de alguma dessas coisas,mas o meu medo vai um pouco mais além.Vamos lá,eu sempre fui muito feliz sozinha.Sempre adorei estar dentro do mar em cima da prancha longe de todo o crowd e ficar ali por pelo menos 1 hora e meia.Amo me trancar no quarto e ouvir várias músicas enquanto fico arrumando minhas coisas.A palavra solidão nunca me assustou,rir sozinha,gritar sozinha,chorar sozinha,curtir sozinha,sempre foi tão bom pra mim.No vendaval que eu sempre fui,dançar na tempestade sozinha era incrível.A real é que meu grande medo é que nunca tenha alguém que veja isso.Que admire o fato de eu rir sozinha e dos meus dois dentes da frente não serem tão sincronizados.Eu morro de medo de não ter alguém que perceba que eu só lavo louça ouvindo música no fone,ou que eu tenho uma mania surreal de só dormir de meia.Eu morro de medo de não ter alguém que queira morar nas minhas peculiaridades.Morro de medo de ter alguém que desconfie tanto de mim que me traia em nome de insegurança e ego ferido.Morro de medo de que ao se deitar comigo fique pensando mais em com quem eu me deitei do que eu estar escolhendo estar ali e caramba essa área de mim já foi tão ferida.Eu via como um presente e pra quem eu dei,pra quem eu me dei,foi embora pela mesma porta que todos foram.Tenho pavor de por falta de aprovação dos que estão perto ele desista de mim.Começo a tremer só de pensar que ele não sonhe em me ver de branco e que chore quando me veja entrando pra caminhar até ele,rumo ao nosso futuro.Tenho medo de a noite quando deitarmos e vermos filmes de terror ele não entender que eu gosto de tampar o olho mesmo amando esse gênero de filme.Tenho medo dele não admirar o fato de eu trata-lo como se ele fosse o homem mais perfeito do mundo pra quem está de fora,pra ele se sentir sempre valorizado,como fiz com todos e no final de tudo,ele não fazer jus a isso.Tenho medo que ele não lute incessantemente por mim quando as coisas ficarem difíceis e opte por me eliminar.Tenho medo que ele seja do tipo "vamos terminar e nos reencontrar mais maduros" porque na real,ele só não quer se dar ao trabalho agora,somado ao fato de que quer se entregar ao mundo.Sabe,eu tenho medo dele não querer mais construir ao meu lado,que ele não me enxergue e veja que num mundo vazio eu sou a garota que surfo no profundo,eu tenho tanto medo dele achar bobeira eu adorar museus e gostar de coisas tipo picles e mostarda.Eu tenho medo dele não estar ali quando estiver chovendo e frio e eu não possa deitar no peito dele e pensar "eu sou amada e admirada".Mas eu enfrento esse medo com fé,então meu amor,meu grande homem,eu sei que você está aí,em algum lugar,esperando por uma garota que é feliz sozinha mas que quer transcender ao teu lado,eu sei que já te machucaram tanto que tu não acredita mais que exista amor no mundo,mas eu estou aqui,nós vamos cuidar um do outro,vamos nos beijar no final da briga,quando os anos passarem e estivermos tendo crises horríveis de não se suportar,vamos saber que o outro está ali,nós não vamos nos deixar,e Deus será conosco.Ainda que o mundo estiver contra nós,estaremos unidos em uma só carne.Já estamos debaixo do mesmo céu,e tu vai descobrir assim como eu,que dividimos o mesmo amor pela lua e pelas estrelas.Quando nos conhecermos,vamos aprender o significado de permanecer e nada será maior do que nossa vontade de estar ali.Eu te mandarei embora no meio de uma briga,e tu vai segurar meu rosto e dizer que quer de alguma forma se reinventar pra me entender,porque sabe que no dia a dia eu sempre farei isso.Entre nós não existirá isso de acabar e voltar,porque você terá o mesmo medo que eu,e não será de baratas,de altura ou de aranha,mas o de não ter mais alguém que veja nossa dança na tempestade.
Lembra como esse texto começou,que eu perguntei sobre a areia no pé? Eu sei,não teve nada haver com o resto do texto,mas foi isso que eu respondi quando me perguntaram qual era o meu maior medo,eu simplesmente fugi da pergunta.Sim,eu fiquei apavorada.
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