E então no meio de um filme,numa tarde comum eu tive uma catarse "acho que a gente se perdeu" foi a frase ouvida na tv,que me fez pensar naquilo durante um dia inteiro e me fez ver que era a hora de escrever sobre.
Lembro que a uns dias atrás eu tinha ouvido de uma amiga a seguinte pergunta "quem foi a pessoa mais incrível que você já se relacionou?" E eu disse "ninguém" ela ficou me olhando e eu falei "veja bem,isso não é um discurso na qual agora vou começar a detonar todos que passaram por mim,mas pra eu considerar alguém incrível,ele teria que ter feito algo que ainda ninguém fez:permanecer". Tem cerca de 3 meses que eu saí da última relação que eu tive e a catarse que eu vivi em relação ao filme me levou a lembrança das diversas tardes na qual eu chorava,emocionada pelo momento,e dizia no mais auge da minha escolha de amar "não quero nunca que a gente se perca".Assim como as vezes em que rindo e brincando tendo consciência do quão raro era aquilo eu falava a mesma frase.E naquelas pequenas palavras eu sabia exatamente o que eu queria dizer.Foi o que ocorreu.Nos perdemos.Os banhos juntos rindo,as piadas internas de quando o sabonete caia no chão,as receitas,os vídeos,as tardes de intimidade infinita,as primeiras vezes de tantas coisas juntos,as apostas de corrida,o fone dividido,as trocas de foto,os elogios quando via o outro arrumado,os apelidos carinhosos.Tudo se perdeu.Perdeu pra raiva,pra o orgulho,pra o ego,inflado,ferido,pra o egoísmo,pra o medo,pra opinião alheia.Tão menos em quantidade os contra mas tão suficiente pra perda.E esse, exatamente esse,era meu medo.Lá da primeira vez que nos perdemos,em nossa reconciliação eu comecei a chorar e não conseguia mais parar,assustado ele me perguntou o que houve e eu disse,sem pensar duas vezes,tão eu,tão 100% ali,"eu não queria ter tido isso com mais ninguém"e por trás daquilo eu tinha medo de dizer em voz alta "eu não queria ter me perdido de você,meu menino".O medo me segurou naquele momento,o medo de quando eu não tive mais você construindo comigo e das vezes que chorei relembrando as brigas ou sua falta de sensibilidade quando disse que tinha tido o bastante de mim pra saber que não era aquilo que queria,"eu só quero ser feliz".Ali eu já sabia que muita coisa se perderia mais e mais e por dentro eu gritava,esperneava e chorava implorando que você me achasse de novo.Que seu olhar de ternura durante o ato sexual voltasse e que eu não perdesse a vontade de ter isso com você por não me sentir mais bem tratada (eu sentia coisas que acho que você nem desconfiava).Parece que o fato de eu ter tido aquilo com outras pessoas já surtia mais efeito em você do que você dizia.Eu disse em um desabafo um dia sobre sexo "acho que banalizou pra mim em forma de mecanismo de defesa de tanto que sofri por isso" e ouvi semanas depois "ué,mas não banalizou pra você?",a conexão de entender o outro e as feridas,também haviam se perdido,me vi sangrando sozinha.Eu não te alcançava mais,você já não me via.O ponto alto chegou:"eu te amo" no mesmo compasso que chamar uma pessoa pra ter relações sexuais.Então a dor suprema,me perdi de mim.Cortes,remédios,depressão.Aquilo escancarou alguém que já não estava mais ligando pra mim e me olhou com um olhar de "é isso aí mesmo,não tem muito o que dizer"e não teve flores,não teve um pedido de perdão,"até sei como consertar as coisas,mas e isso e aquilo" amigas próximas confirmando que realmente não devia me amar mais.Até que eu explodi e decidi sem avisar que seria a última vez,dessa vez não atender o telefone não seria questão de tempo,e ao ouvir um "eai,já pode conversar?" Como se eu tivesse a obrigação daquilo.Não faria mais parte do meu roteiro reagir com mansidez a sua falta de serenidade,novamente sem avisos de que ali seria pra sempre,eu disse não.Eu precisava me reencontrar.Depois de uma viagem reuni minha calma e fui resolver isso,agradecida por tudo,ainda com nós no estômago de quem por dentro gritava "eu te amei até o último segundo e como você pode abandonar a mim,meu menino",eu disse obrigada,expliquei meus motivos e não fui recebida bem.Sangrou de novo,chorei de novo,mas fui forte.Nos perdemos.Hoje? Eu segui todos os conselhos de todo mundo,porque os meus de permanência pareciam não fazer mais sentidos pensados sozinho.Fui em busca do bem estar,de trabalhar,de estudar,de focar em mim.E com o tempo passando responder que eu estava bem saia de forma tão natural,que eu vi que sim,ficar bem,feliz é muito fácil.Difícil é escolher amar e não se perder.Em quantas camas eu já deitei? Em quantas camas você já deitou? Quantos corpos? Quantas bocas? Hoje você já namora? Já ama? Se eu já namoro? Já amo? Começou a contagem,recomeçou.Quase namorei duas vezes desde que tudo acabou,e não aconteceu por diversos motivos,dentre eles eu não estava pronta pra construir ainda.Mas após uma semana sem contato com o mais recente eu ouvi "você me descartou com muita rapidez,eu realmente amei você".E assim eu termino meu texto,eu não descarto com rapidez,não esqueço com rapidez.Não,eu não esqueço,aqui dentro de mim,tudo isso vai pra uma área e não é a área de visitações de lembranças mas é a mesma área onde estão as frases de todos que foram embora pela mesma porta.Para os que nunca tiveram a ousadia de fazer a diferença permanecendo que tenham todos o mesmo destino,eu mereço a licença poética nesse momento pra generalizar.
No fundo,nos perdemos todos.E eu sei toda dor que enfrentei por cada perda.Ainda não sei como ser a menina da "escolha de amar" de novo.Por enquanto estou escolhendo me amar e cicatrizando cada ferida.
Eu estou bem e sei que você também,de alguma forma aprendi a habilidade,em um domingo contigo no telefone que eu era um peso em tua vida e agora não estou mais nela.Esta tudo bem por isso,pra alguém eu hei de ser o alívio e você,terá o teu também.

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